Porque a Engage usa Ruby on Rails e sua relação com as redes sociais
Por Juan Maiz, Felipe Benites Cabral e Daniel Wildt*
Quando se fala de redes sociais é comum confundir plataformas de redes sociais (como Facebook, Twitter, Orkut, Ning…) e redes sociais que são formadas através de interações sociais. Plataformas socias são apenas meios que visam facilitar a comunicação, participação e interação de indivíduos. Redes sociais são a comunicação propriamente dita entre indivíduos.
O produto das redes sociais é o que chamamos de capital social de uma comunidade, e capital social é uma fonte incrível de inovação. Devido às interações de diversas ideias é um excelente campo para a produção de novos comportamentos, ideias e atitudes. Há basicamente dois fatores que fazem com que uma rede social tenha sucesso: descentralização de controle/baixo número de filtros e número de interações entre indivíduos.
A descentralização elimina filtros de comunicação e filtros de autorização para geração de novas ideias. Quando foi solicitado a Paul Baran [1] que apresentasse, ainda nos anos 60, o modelo mais sustentável para o sistema de comunicação dos EUA, sua conclusão foi que a melhor alternativa eram os sistemas distribuídos, onde a eliminação do ponto central da organização promove a estabilidade do conjunto. Todas as partes são independentes e não respondem a um comando que as isolam entre si. Esse modelo, quando adotado por grupos, assegura tanto a sobreviência quanto a independência dos seus indivíduos. Quando há qualquer forma de centralização, há dependência de superiores hierárquicos para produção de qualquer natureza, o que impede novas ideias/projetos/empreendimentos de aflorarem.
O benefício das interações sociais entre os indivíduos é apresentado pelo trabalho da Jane Jacobs [2]: A vida e a morte nas grandes cidades. O livro argumenta que um grande número de interações em um grupo mínimo de pessoas dentro de uma população é suficiente para manutenção e melhoria de espaços públicos e comunitários. Ou seja, a interação entre os integrantes de uma comunidade produz a manutenção e a inovação do que é comum aos integrantes dela, tanto nos espaços pertencentes ao grupo quanto aos espaços comuns entre grupos.
A construção de instituições sociais apoiadas por meios tecnológicos é um desenvolvimento historicamente recente. Muito provavelmente ela iniciou-se no movimento Linux [3] em 1994. Neste movimento, um contingente sempre crescente de interessados trabalhou de forma distribuída por um objetivo comum, a saber, criar o principal sistema operacional livre do mundo.
Muitos outros projetos buscaram seguir o mesmo modelo: utilizar a tecnologia da comunicação e as redes socias para atingir objetivos comuns. Entretando, nenhum desses teve um sucesso tão grande num período de tempo tão curto como a comunidade do Ruby on Rails [4].
Entre 2004 e 2011, a comunidade cresceu de alguns poucos para dezenas de milhares de colaboradores e se esforçou conscientemente em fazer o trabalho mais importante que, ao contrário do que muitos pensam, não é meramente escrever código, mas sim manter uma comunidade unida e com propósitos.
Observe as imagens [5] que comparam as interações de usuários de outras linguagens e as interações de usuários de Ruby. Fica claro que os “Rubistas”, ao invés de criar clusters isolados, realizam interações em grande escala, com praticamente todos os projetos e em um número tão elevado que torna a imagem em um grande borrão


Esse comportamento de inovação radical é o responsável pela explosão na adoção do Ruby on Rails, principalmente em startups, empresas nascentes de base tecnológica que vêem na tecnologia um grande diferencial competitivo [6].
Além de colaborar no desenvolvimento de projetos e ferramentas os Rubistas realizam diversos encontros em todo o globo. Esses encontros servem para promover a troca de conhecimento entre os desenvolvedores e possibilitar uma interação real de quem se identifica com a comunidade. Esses eventos são sempre includentes, mostrando que a comunidade é aberta para todos aqueles que quiserem participar.
Como exemplo, cito as palestras de 5 minutos abertas ao público que fecharam o RS on Rails 2011 [7]. Cerca de 5 pessoas, voluntariamente e não organizadas, saíram de sua zona de conforto para subir ao palco e dar seu testemunho de como é possível aprender uma nova linguagem de programação e como a comunidade ofereceu apoio e feedback para esse aprendizado durante todo o percurso.
Aguardo ansiosamente aos seus comentários com as ferramentas e comunidades usadas por você.
Referências:
[1] Paul Baran - pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Baran
[2] Jane Jacobs - pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Jacobs
[3] Linux - pt.wikipedia.org/wiki/Linux
[4] Ruby On Rails - rubyonrails.org
[5] GitHub Explorer - lumberjaph.net/graph/2010/03/25/github-explorer
[6] Eric Ries, Ruby on Rails e Lean Startups - youtube.com/watch?v=IVBVZGfzkVM
[7] RS on Rails - rsonrails.com.br
Autores:
* Juan Maiz, sócio da Engage , empresa focada em engajamento colaborativo.
* Felipe Benites Cabral, sócio da Engage , empresa focada em engajamento colaborativo.
* Daniel Wildt, iniciou com Ruby em 2006 e no Rails em 2007. Começou a tocar com Sinatra em 2009 e JRuby em 2010. Participa e quer levar a motivação da comunidade Ruby para tudo o que faz na vida.
Postado por: giancarlojung
